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Dior transforma tradição chinesa em ponto de partida para coleção leve e romântica em Paris

Jonathan Anderson parte das nozes wénwán para explorar natureza, assimetria e leveza no verão 2027 da maison

Duas pequenas nozes entregues aos convidados deram a primeira pista sobre o que Jonathan Anderson preparava para o verão 2027 da Dior. Apresentada nesta terça-feira (29), durante a Semana de Moda de Paris, a nova coleção feminina da maison encontrou na natureza, e em uma tradição chinesa descoberta pelo estilista durante uma viagem ao país, o ponto de partida para uma das propostas mais leves de sua passagem pela grife até agora.

As nozes eram wénwán, tradicionalmente manipuladas aos pares nas mãos. Com o passar do tempo e o contato constante, a superfície se transforma e desenvolve uma pátina lisa e particular. Anderson contou que o objeto o fez pensar sobre como conhecimento e preciosidade também podem ser encontrados na natureza. A própria Dior resumiu o conceito do desfile como uma “exploração da leveza”, imaginando o ar como se fosse um material.

Verão da Dior

Essa ideia apareceu nas roupas por meio de tecidos translúcidos, construções fluidas e elementos que pareciam desafiar o peso das peças. Alfaiataria, xadrezes e outros códigos tradicionalmente associados a estruturas mais rígidas ganharam versões leves, enquanto vestidos receberam rendas, plissados, pétalas e transparências. A assimetria também atravessou a coleção, acompanhando a proposta de observar as irregularidades encontradas na natureza.

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O contraste foi uma das principais ferramentas do estilista. Calças metalizadas com efeito de pele de cobra apareceram ao lado de blusas transparentes e volumosas, enquanto casacos estruturados dividiram espaço com saias praticamente etéreas. Estampas florais, listras e diferentes tipos de xadrez também foram combinados, reforçando uma estética menos rígida. A atenção aos detalhes se estendeu aos acessórios. Bolsas ganharam construções esculturais, enquanto os sapatos surgiram em versões florais, metalizadas e estampadas. Até a própria wénwán foi transformada em referência para uma minaudière apresentada na passarela.

O cenário ajudou a completar a narrativa. A passarela foi construída sobre o Bassin Octogonal, no Jardin des Tuileries, cercada por árvores e névoa, enquanto as modelos atravessavam o espaço como se as roupas acompanhassem o movimento do ambiente. Entre os convidados estavam nomes como Rosalía, Anya Taylor-Joy e Jennifer Lawrence.

A coleção chega cerca de um ano depois da estreia de Anderson no feminino da Dior e mostra um designer começando a estabelecer com mais clareza seu próprio vocabulário dentro da maison: menos rigidez, mais movimento e uma tentativa de transformar códigos históricos da casa sem simplesmente reproduzi-los.